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Atração Fatal

- Ai Fernando, quando que você vai tomar juízo e arrumar um relacionamento sério?

- E pra quê se vocês gostam é de dar para caras safados como eu? E você Dona Jéssica fica vacilando, logo, logo sento a pica em você.

Todos na mesa riram da ousadia de Fernando.

Sexta-feira, e como de costumo após um longo e árduo expediente, aquele grupo de amigos reunia-se num barzinho nas proximidades da Avenida Paulista. Os assuntos daquela turma eram dos mais variados, mas normalmente rondavam entre viagens, baladas, futebol, política e sexo. Fernando era o mais popular dentre eles, um cafajeste convicto, já havia traçado duas das quatro garotas que estavam naquele grupo.

Jéssica era uma delas, que também era namorada do Henrique, que no momento daquela indireta, tinha se levantado para ir ao banheiro. E era inegável o quanto ela estava dando mole para Fernando, praticamente se jogava aos braços dele. Naquela mesma mesa estava Larissa, a mais comportada dentre todos ali. Eram raras as suas aparições naqueles encontros de sexta-feira, principalmente porque seu noivo era extremamente ciumento.

Passado certo tempo a turma havia se dispersado, alguns conversavam com outros colegas que também estavam ali e Larissa estava decidida a ir embora. Depois de pagar sua parte, Larissa dirigiu-se ao banheiro e assim que entrou notou sutis gemidos. 

Andando com cuidado Larissa passou em frente ao toalete que se encontrava fechado. Cenas como aquela até era algo muito comum por ali, mas de repente um flash rapidamente passou por sua cabeça, lembrou-se de ver ainda pouco Henrique conversando numa roda de amigos e de ver Jéssica passar por ela com um sorriso cínico enquanto pagava a conta.

“Me fode Fe... isto... assim...”
“Putinha... tava doidinha pra sentir minha rola te fodendo né?”

Imediatamente Larissa reconheceu as vozes de Jéssica e Fernando e assustada, levou a mão à boca e saiu às pressas sem se despedir de ninguém.

Duas semanas se passaram daquele ocorrido e Larissa se esforçava para não transparecer que Fernando começava a mexer com suas fantasias. Na quarta-feira após mais um dia de trabalho, Larissa e Fernando dirigiram-se como de costume a estação de metrô Brigadeiro.

Na estação Paraíso fizeram a baldeação para a linha Azul sentido Tucuruvi, só que naquele dia havia ocorrido algum problema na circulação dos metrôs e com isto as estações encontravam superlotadas. E foi meio aquela bagunça ao entrar no vagão que Fernando conseguiu um lugar no corredor e imediatamente puxou Larissa para que ficasse na sua frente – Melhor você ficar aqui – ele disse ao pé de seu ouvido fazendo-a arrepiar-se.

Ainda havia um mínimo espaço entre os dois, mas conforme o balanço do vagão volta e meia ela sentia o volume da calça dele roçar em sua bunda. Impulsivamente ela soltou seu corpo e ficou encostada nele e naquele momento através do reflexo na janela trocaram risos safados.

Logo o cafajeste a encoxava com mais ousadia fazendo seu corpo empinar e atiçando os olhares de alguns curiosos que internamente viviam fantasiando uma situação como aquela e torciam todos os dias para encontrar uma Larissa no vagão. No instante seguinte o safado já se encontrava beijando-a com muita destreza.

Cerca de 25 minutos depois...

- Você é louco! Eu sou noiva!
- E sei que está doidinha pra dar pra mim... – ele respondeu rindo de forma sacana.
Meio a beijos e amassos calorosos os dois entravam no quarto de um Motel localizado próximo da estação Sé. Em segundos os dois já se estavam completamente nus e Larissa cavalgava intensamente sobre seu cacete.

- Ahmmm...  Delícia! – dizia Larissa.
- Sua vadia... Safada...
- Sou, sou sua vadia... sua puta... quero que me foda com força...

E assim nasceu o envolvimento daqueles dois. A partir de então todos os dias, sem exceção, Fernando comia Larissa, seja naquele motelzinho barato, ou até mesmo na sala de arquivos da empresa. Larissa via-se totalmente tomada por ele, mal conseguia se concentrar no trabalho, estava completamente fissurada em Fernando.

Duas semanas depois, deitada na cama naquele mesmo motel, Larissa olhava para ele que se encontrava em pé na frente da janela do quarto olhando para fora. 

- Hoje é aniversário do meu noivo e eu estou aqui, você tem noção disto? Não consigo parar de pensar em você...
– Você é muito vadia... – ele respondeu com um sorriso cínico sem ao menos olhá-la.

- Poxa Fernando, poderíamos...
- Preciso ir, fique a vontade, vou deixar o quarto pago.
- Mas você não vai me esperar?
- Não, tenho outro compromisso – respondeu Fernando friamente enquanto vestia-se e em seguida saiu do quarto deixando-a sozinha.

3 meses depois...

- Eiii! O que foi menina? Está assustada?
- Desculpa Henrique, é que estou precisando falar com o Fernando e ele sumiu.
- Ah sabe como ele é né? Semana passada entrou uma franguinha nova no Marketing e ele anda todo prestativo, aquele ali não perde tempo...

“É não perde mesmo, pois até a sua namoradinha ele já comeu, seu babaca!”, ela pensou. Larissa encontrava-se transtornada com o distanciamento repentino de Fernando, em sua concepção, ela havia conseguido fisgá-lo completamente e agora começava até a pensar em terminar seu noivado e ficar de vez com Fernando para o resto de sua vida.

Mas naquele momento as palavras de Henrique só serviram para aumentar ainda mais a sua angústia, e não suportando tamanho sofrimento, Larissa partiu em busca de Fernando. E havia um lugar que ela temia encontrá-lo, a sala de arquivo. Aquele era lugar pouco movimentado e foi aqui que por diversas vezes eles já transaram e Larissa tinha plena certeza de que ela não era a primeira a estar ali com ele.

Em frente à porta da sala Larissa parou, e suavemente foi girando a maçaneta da porta abrindo-a com cuidado até finalmente entrar. Era uma sala com diversos rack´s contendo documentos e processos da empresa. Andando por um dos corredores Larissa se dirigiu até o fundo da sala, e foi lá que avistou seu pior pesadelo. A garota nova encontrava-se com a saia levantada e por trás recebia as estocadas vorazes de Fernando.

- Sua vagabunda!!! Ele é meu! – Larissa gritou perdendo o controle e indo para cima deles e Fernando assim que a viu a agarrou dizendo – Você é louca??!!
- Sua piranha... vagabunda!! Ele é meu! – Repetia Larissa olhando para aquela garota que assustada se recompôs as pressas. Fernando logo tratou se tampar a boca de Larissa e pediu para a garota ir embora.

- O que você quer eihnn!! Você é doida???!!! – disse Fernando empurrando-a.
- Como você pode fazer isto comigo Fê, me entreguei a você, estávamos tão envolvidos...

- Ah, Ah, Ah... Você tá brincando comigo não é? Você acha mesmo que eu vou me envolver com uma vagabunda que sai traindo o noivinho com o primeiro que aparece...

Larissa ficou a chorar em silêncio, em seguida enxugando suas lágrimas o olhou com raiva e disse – Agora entendi, para você ser assim, tão frio, no mínimo carrega a decepção de ter sido levado um chifre de sua...

- Cala boca! – gritou Fernando segurando forte o pescoço de Larissa lhe roubando o ar de tamanha raiva.

- Uhmm... acho que toquei na ferida... – disse Larissa com um semblante irônico, com seu rosto marcado de lágrimas.

8 dias depois...

Estavam todos do setor numa sala de reunião com exceção de Fernando e foi ali que o motivo foi relevado. O gerente da área anunciou que Fernando havia se desligado da empresa por questões pessoais e apresentou a todos quem ficaria no lugar dele.

Imediatamente Larissa sentiu um aperto no peito, de fato fazia três dias que ela não o via mais na empresa, depois do ocorrido na sala de arquivo tudo havia acabado, mas ela não parava de pensar nele. Assim que a reunião acabou Larissa tentou ligar inúmeras vezes para ele, porém sem sucesso.

No mesmo dia Larissa também soube que a garota que ela havia flagrado com Fernando, havia sido demitida, mas não revelaram o motivo. E foi a partir daquele momento que o desespero de Larissa chegou a um nível doentio. Ela não parava de pensar nos dois e que haviam decidido ficar juntos. “Mas porque ela? Porque ele me trocou? Não, não! Sou eu que o amo!!”.

Ao final do dia Larissa recebeu uma mensagem em seu celular, era Fernando pedindo para encontrá-la no mesmo motel que costumavam ficar. Naquele momento Larissa abriu um enorme sorriso notado por alguns de seu setor, que inclusive estranhavam o comportamento de Larissa há alguns dias. 

Logo após encerrar o seu trabalho Larissa se dirigiu para o Pulgueirinho, apelido carinhosamente dado por Fernando para aquele lugar. O Motel ficava bem escondido e normalmente era frequentado por putas de rua e mendigos da região. Mas Larissa nunca nem notou ou ligou para este fato, tamanha era sua fissura em Fernando.

Larissa subiu para o quarto combinado, estava eufórica, queria vê-lo e dizer o quanto o amava e o quanto o queria em sua vida e foi assim que abriu a porta do quarto 201 que a vida dela desmoronou. Diante de seus olhos encontravam-se Carlos, o seu noivo com os olhos marejados de lágrimas e junto estavam os seus pais.

- Filha... Porque você fez isto? – disse sua mãe chorando.
- Sete anos, sete anos de minha vida jogados fora com uma... com uma... Vagabunda! – disse Carlos nervoso.

Larissa encontrava-se imóvel, lágrimas começaram a descer de seu rosto dando se conta do que havia feito logo com Carlos, que tanto a apoiou enquanto juntos. 

De repente, de trás dos pais de Larissa sai àquela garota, a mesma que Larissa havia flagrado com Fernando, encarando-a nos olhos ela disse – Agora me diz, quem é a vagabunda aqui? Eihnnn? Quem é a piranha aqui? – notando que Larissa encontrava-se em choque e sem condições alguma de reagir, ela esboçou um sorriso sádico e então saiu do quarto deixando-a sozinha com os eles.

Atravessando a rua, a garota entrou num carro preto que estava estacionado ali e disse – Está feito, agora podemos ir, já desmoralizei aquela vadia...

- Não vamos a lugar nenhum, você não é diferente dela e de nenhuma por ai. Pra mim você foi apenas mais um brinquedinho que usei quando eu quis... Agora saia do meu carro e suma da minha vida...

- Mas Fe... Você me prometeu...
- Saia!

Assim que Raquel saiu do carro, ele saiu cantando pneus e acelerando em direção à saída da cidade. Depois de rodar mais de 600 km, Fernando chegava ao sul do país e parando no acostamento em uma região montanhosa ele saiu do carro. 

Caminhando um pouco a frente ele respirou fundo olhando a paisagem e repetiu para si mesmo.

- Vou começar uma vida nova... Eu vou te esquecer...

* Todos os nomes dos personagens, assim como de instituições utilizadas neste texto, são apenas nomes fantasias e não referenciam a nenhuma pessoa, local ou razão social.

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6 comentários:

  1. caraca, Dante, vc sabe como prender a minha atenção... beijos... J

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    1. É muito bom saber disto. Obrigado por participar com seu comentário e espero te ver sempre por aqui.

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  2. - Vou começar uma vida nova... Eu vou te esquecer...
    As vezes é preciso... fazer o que?


    Bjsssssssssssss

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    1. Mais uma vez obrigado por vir aqui e participar. E Sim recomeçar é preciso as vezes ...

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  3. Forte,e intenso como sempre...
    Toda ação gera uma reação. Por isso,é sempre importante dominar (ou pelo menos Tentar) os impulsos.

    Beijos,Cris.

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    1. Obrigado Cris por vir aqui, comentar, é muito bom te ver por aqui. E de fato, controlar nossos impulsos acho muito importante, avaliar e pesar o que esta em jogos em nossas ações é muito importante.

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