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A Cidade do Pecado - Final

Quarta-Feira, *Colégio Pedro Aguiar, 10h05min
 
- Aí Betão, fica esperto que é hoje eihnnn, na saída da aula vamos seguir o gorducho e pegar sua namoradinha. Tô louco pra brincar aquela putinha.

- Chamei o Bruno, mas ele deu pra traz – Disse Roberto.

- Ah deixa aquele bundão pra lá, vamos só nós dois, ou tá com peninha do baleia e numa namoradinha?

- Claro que não seu Fred... tô contigo pô!
***

Quarta-Feira, *Hospital Santa Catarina, 11h08min

Flávia se encontrava em prantos na sala de espera daquele hospital. Não conseguia entender o que teria acontecido com Alex, não conseguia se lembrar de nada. Ainda pouco dois policiais estiveram com ela e segundo eles, nenhum vizinho ouviu o som dos vidros se estilhaçando, ou se quer barulhos indicando arrombamento ou violência. A segurança do prédio não tem registro de ninguém além do Alex que tenha subido ao apartamento. 

Os relatos dos policias a deixaram ainda mais transtornada.

-  Flávia?

- Dr. Braga!! Como ele está? Como ele está?
***

Saída do *Colégio Pedro Aguiar, 13h00min 

O sinal toca indicando o final da aula e assim que Lucas terminou de copiar a matéria, tratou logo de ajeitar seu material e sair da sala. No corredor passou por Fred e Roberto que o olhavam com sorrisos irônicos, mas de nada ele desconfiou.

O tempo estava aberto, fazia um sol quente, “Uhmm que sol! Ainda bem, ultimamente não para de chover”, pensava Lucas olhando para o céu enquanto caminhava para sua casa. E foi quando de repente Yasmim surgiu a sua frente e como sempre, o deixando eufórico de alegria.

Só que diferente dos outros dias, Yasmim dia tinha um semblante triste, lágrimas desciam pelo seu rosto. Rapidamente Lucas ficou junto dela e preocupado perguntou:

- O que aconteceu?
***

- Flávia, ele precisará passar por uma cirurgia para retirada um coágulo do cérebro. A cabeça dele deve ter batido com muita força, mas ainda temos sorte de o quadro não ter sido ainda pior. A cirurgia é muito delicada e precisa ser feita às pressas. Infelizmente ainda existe risco de vida, mas esperamos que tudo dê certo.

Flávia começou a chorar diante do médico, que a olhava desconcertado.
- Olha Flávia, a cirurgia pode levar horas, recomendo você ir para casa, te ligaremos assim que tudo estiver acabado.

O Doutor despediu-se de Flávia e saiu em direção a sua sala, deixando-a sozinha no corredor.
***

- Aconteceu uma coisa horrível Lucas... meu irmão - Yasmim abraçou-o e chorava em seu ombro – Lucas, eu ...  estou aqui para me despedir de você, não posso mais te ver.

- Mas por quê? Não fale isto – O olhar de Lucas começou a se encher de lágrima.

Yasmim começou a soltar-se do corpo dele e de frente para ele ficou apenas a olhava-o. Seu coração estava apertado, sabia que precisava se afastar do humano antes que algo de mal acontecesse a ele. Carregava o peso da falha que seu irmão cometera, e agora precisava ser mais forte do que ele para proteger a pessoa que mais amava naquele momento.

- Eu te amo Lucas...– assim que disse isto Yasmim correu deixando-o para trás, ele esticou a mão tentando segurá-la, mas seu esforço foi em vão e ali mesmo Lucas caiu de joelhos levando sua mão ao rosto e chorando em silêncio sentindo muita dor.
***

Quarto 411, Hotel Águia Dourada, São Paulo – 13h10min

- Você é minha Renata, e só minha. Fui claro? – Dizia André enquanto a penetrava intensamente por trás, puxando-lhe o cabelo e beijando-a com volúpia. Cravando seus afiados dentes no pescoço dela, André deliciou-se com seu sangue enquanto a sentia rebolar em seu pau com grande prazer.
***

- Olha só quem encontramos por aqui... não pensei que seria tão fácil...
Yasmim assustou-se ao sentir aquela mão segurando-a pelo braço e puxando-a, logo reconheceu Fred e Roberto.

- Me solta! Me deixa em paz! – Dizia Yasmim tentando se soltar.
- Calma, só quero brincar um pouco com você.
Fred segurando-a firme tentou beijá-la, mas ela virava o rosto, fugindo dele. Yasmim tentou usar suas habilidades para escapar, mas se deu conta que seus poderes haviam sido lhe tirados completamente.

Segurando-lhe o rosto Fred a beijou a força enfiado sua língua a boca dela sem pudor algum.

- Vigia aí Betão!

Fred foi puxando Yasmim para dentro daquele estreito beco enquanto Roberto estava parado do outro lado vendo seu amigo deitando a garota no chão e ajeitando-se entre suas pernas. Era possível ouvir claramente o choro de Yasmim, e aquela cena grotesca começou a mexer com Roberto, fazendo-o se sentir um monstro.
***

Lucas ouviu a voz de Yasmim em sua mente a lhe pedir ajuda, sem pensar suas vezes levantou-se rapidamente deixando até seus cadernos no chão e correu na mesma direção que ela foi. Um pouco à frente avistou Roberto parado numa esquina, olhou-o e notou a reação assustada dele ao lhe ver, então correu na direção dele.

Vendo Lucas se aproximando Roberto olhou para o beco, Fred estava violentando a garota, estocando-a sem escrúpulos, num misto de medo e arrependimento Roberto correu na outra direção saindo do lugar do crime.

- Solta ela!!

- Ora, ora. Olha só quem veio salvar a mocinha. Não é que é o gorducho. Está achando que você é o quem! Eihnnn? O homem aranha? – Disse Fred rindo ironicamente, levantando-se, e indo em direção a Lucas encarando-o enquanto Yasmim estava no chão chorando desesperada – Sabia que a sua namoradinha tava gemendo bem gostoso sentindo meu pau rolha de poço?

Um sentimento de raiva tomou Lucas de uma forma que nunca havia sentido. E antes que Fred pudesse fazer algo, Lucas soltou-lhe um forte soco no rosto, fazendo-o cair no chão.

- Você tá louco gorducho! – gritou Fred com a mão no rosto vendo sangue escorrendo de sua boca.

Lucas olhava-o aguardando sua reação, foi então que Fred abaixou-se rapidamente pegou um pedaço de pau que estava no chão e acertou violentamente a cabeça de Lucas fazendo-o desmaiar na mesma hora.
Fred ficou a olhá-lo no chão.

- Não!!! Nãoo!!! – Gritava Yasmim aos prantos.

- Babaca, teve o que mereceu – disse Fred, voltando-se para Yasmim – Agora vou foder o seu cú sua vadia...
***

Ainda muito debilitado Miguel encontrava-se parado no corredor do hospital acompanhando de perto o sofrimento de Flávia. Lágrimas desciam pelo seu rosto, a dor de ser expulso do Céu não se comparava nenhum pouco em ver o sofrimento de seu amor, de sua protegida.  

Aproximando-se dela, ele orou e aos poucos Flávia acalmando seu pranto.

Inclinando-se sobre Flávia em seu ouvido ele disse “Eu te amo... ”. Depois disso ele transpassou as paredes do hospital e voou até o prédio céu mais alto da cidade.

Em pé a beira daquele prédio Miguel contemplou a vista da cidade, respirou fundo e fechou os olhos. Lembrou-se de Flávia e daquele corajoso humano que salvou o mundo das profundezas da escuridão.
***

- Volta para a cama amor... vem, me faz gozar de novo... eu deixo você chupar um pouco mais do meu sangue.... – Dizia Renata, abraçando uma almofada sorrindo maliciosamente. 

André olhava-a, sorrindo ironicamente, “Mas será possível? Perdi o respeito mesmo, não sei porque não consigo devorar esta safada de uma vez… ”, pensava enquanto abria a porta que dá para a varanda. Foi então que se assustou ao sentir o sol queimar sua pele, “Ops, pelo jeito perdi a hora...”.

“Ei! Mas o que é aquilo? ”, imediatamente sua atenção foi desviada para o outro lado da rua.
***

Antes de se aproximar de Yasmim, Fred sentiu algo a lhe agarrar por trás e depois jogá-lo violentamente contra parede.

- Quem é você? – Disse Fred assustado vendo aquele homem com um semblante monstruoso, dentes afiados e olhos negros. Sua pele estava parcialmente em chamas, o que exalava um forte cheiro de queimado.

Sem apresentações ele golpeou Fred várias vezes, fazendo-o suplicar para que parasse. Após descontar toda sua fúria o vampiro disse – É melhor você sumir da minha frente garoto. 

Sem questionamentos Fred saiu às pressas fugindo do monstro.

Indo para o lado com sombra do beco André respirou ofegante, olhava para os machucados que o sol lhe causara e depois olhou para Yasmim encarando-a nos olhos.

Ela olhava-o assustada. Apoiada nos cotovelos Yasmim arrastava-se ao chão distanciando-se dele.

- Volte para onde veio mocinha, não está vendo os problemas que você está causando?

André sabia exatamente quem era ela, e conhecia muito bem o garoto no chão e a história dos dois. Nada passava desapercebido naquela cidade aos olhos de André. Yasmim olhou para Lucas no chão inconsciente, aquela cena entrava como uma facada em seu coração, sentia que por sua culpa a vida de um humano havia sido brutalmente arrancada.

Foi então que uma forte luz brilhou acima dela e um anjo vestido com uma armadura dourada saiu daquela luz pousando entre Yasmim e André.

O anjo e André se encararam por certo tempo, depois caminhando até Lucas o anjo agachou-se e colocou sua mão por cima da cabeça do garoto. André o olhava preocupado, sabia que naquelas condições não teria a mínima chance de travar uma batalha justa com aquele poderoso anjo.
***

- Senhor, não é justo aquele humano estar passando por tudo isto por causa da minha causa. Que meu sacrifício seja em pró a vida daquele homem que de tamanha fé salvou a humanidade.

Falando isto o anjo jogou-se daquele prédio. Suas asas começaram a queimar durante a queda, até que seu corpo se chocou violentamente ao chão. Pessoas que passavam por aquele local gritaram de pavor olhando assustadas aquele corpo estirado no chão.
***

Levantando-se o anjo esticou sua mão em direção a André, vendo aquele brilho sair da mão do anjo André ficou acuado, fraco não conseguiu força para escapar dali. Eis que André sentiu suas feridas sendo curadas de forma extraordinária, feridas estas que levariam dias para a regeneração completa.

- André, preciso da sua ajuda. Você pode levá-lo para casa? – Perguntou o anjo indicando Lucas.

André apenas respondeu com a cabeça que sim, o anjo o agradeceu com o mesmo gesto e complementou dizendo – Você está imune ao sol pelo resto do dia, o garoto ficará bem, só preciso que o deixe em segurança.

Então caminhando até Yasmim o anjo pegou-a em seus braços e em seguida voou em direção à mesma luz de onde viera até finalmente desaparecer.

Após pegar Lucas em seus braços André deu um salto até o topo do prédio e pulando entre casas e prédios ele chegou até a casa de Lucas. Apesar de nunca ter entrado a casa dele percebeu que não estava bloqueado, “Será uma ajudinha do anjo? ”, pensou ao entrar na casa do garoto. Depois de deixá-lo deitado no sofá de sua casa André partiu carregando um sorriso sádico e pensando “Uhmmm interessante, um dia todo de sol, o que posso aprontar? ”.
***

Uma semana depois...

*Hospital Santa Catarina, São Paulo – 10h36min

- Nossa amor, você viu isto, que homem louco. Se jogar de cima do prédio mais alto da cidade, que loucura, não é? – Dizia Alex deitado na cama do hospital, vendo um programa de TV onde discutiam sobre o suicídio.

- É mesmo amor. Mas vai saber, talvez ele tivesse seus motivos – Disse Flávia.
- É, este é um assunto delicado, motivos para tirar sua própria vida, é estranho e muito triste.

- Quer saber, vamos falar de coisas boas amor! Olha, eu acho que hoje você deve ter alta – dizia Flávia acariciando o rosto de Alex.

- É, não vejo a hora de sair daqui viu. Oh comidinha ruim deste hospital.

Os dois riram juntos, olhando um para o outro. A cirurgia de Alex havia transcorrido muito bem, porém ele também não se lembrava do que havia ocorrido naquela noite, mas o fato de vê-lo sorrindo fazia Flávia sentir-se mais calma e bem ao lado dele.
***
Dois anos depois...

Centro de São Paulo, 09h30min

- Mas é assim mesmo Cláudia, uma pena que não deu certo, mas pelo menos terminou tudo bem, ainda somos bons amigos.
- Mas não rola nem uns flashbacks de vez em quando?
- Ah, ah, ah...  não, não, melhor não.
- Tchau, tchau Cláudia te vejo amanhã.

Após desperdice de sua amiga ao celular, Flávia atravessou a avenida em direção ao *Reynolds Café foi quando de repente ela esbarrou numa pessoa fazendo os documentos que segurava caírem ao chão.

- Me perdoe moça...
- Não foi nada, eu que estava distraída – disse Flávia agachando-se para pegar os papéis.
- Deixe-me ajudá-la.
Ao se levantarem, ele a entregou-lhe os documentos e neste momento se entreolharam por segundos sem nada dizer.
***

Casa do Lucas, 09h40min

- Lucas!! Lucas!!
- O que é mãe?
- Vem aqui embaixo, quero que conheça nossa nova vizinha.
“Que saco! ”, disse Lucas pausando o jogo no seu Playstation e saindo do quarto.
***

- Não sei por que, mas tenho a impressão que já te conheço de algum lugar.
Flávia sorriu olhando aquele homem à sua frente, e surpreendentemente ela também tinha a mesma sensação.

- Estranho, porque te olhando também tenho esta impressão – disse Flávia.
- Uhmmm, dizem que nada acontece por acaso, pelo jeito você tinha mesmo que esbarrar em mim, talvez só faltava isto para nos conhecermos.
Flávia sorriu e respondeu:

- É pelo jeito sim, bom.... Muito prazer, meu nome é Flávia.
***

Lucas desceu as escadas e quando chegou à sala ficou por um breve momento paralisado olhando aquela bela garota ao lado de uma mulher. A garota o viu entrar na sala e antes que sua mãe percebesse sua presença ela o olhou sorriu de uma forma que fez o coração de Lucas disparar.

- Oh filho você está aí... quero que conheça nossa nova vizinha.
***

- Muito prazer Flávia... – ele segurou a mão dela, a beijou e completou sorrindo – me chamo Marcos, será que posso te pagar um café, um suco? Olha o cappuccino aqui do *Reynolds Café é formidável.
Flávia olhou em seu relógio.

- É eu sei, costumo vir aqui... Bom tenho uma hora antes do meu plantão no hospital começar.

Marcos sorriu e ofereceu seu braço e Flávia segurando-se no braço dele o acompanhou. Os dois saíram conversando, trocando sorrisos até entrarem no café.
***

- Filho, está aqui é a Joana e esta é sua filha, a Beatriz. Ela não é linda?
Lucas ficou com as bochechas coradas quando sua mãe lhe apresentou-as, Joana percebeu a timidez do garoto e brincou dizendo – Acho que deixamos ele envergonhado.

Todos sorriram inclusive Lucas, que não parava de olhar para Beatriz e carregava a estranha sensação de tê-la visto antes.

- Bom precisamos ir né filha, outra hora voltamos. E vocês estão convidados a ir lá em casa viu! – Disse Joana ao despedir-se. Joana e Raquel abraçaram-se e seguiram conversando em direção a porta, ainda na sala Beatriz aproximou-se de Lucas e disse:

- Vai lá em casa depois pra gente conversar...
- Vo... vou sim... 

Os dois trocaram sorrisos e Beatriz lhe deu um beijo no rosto e um forte abraço, deixando o garoto encabulado. Depois afastou-se sorrindo e despedindo-se dele.
***

Cortiço Roberto Aguiar, Centro de São Paulo – 22h00min

Assim que abriu a porta do quarto onde costumava dormir à espera do sol se pôr, André se deparou com uma das cenas mais excitantes já vistas em sua vida. Havia duas mulheres, de corpos esculturais, completamente nuas, trocando beijos e carícias deitadas em sua cama.
Quando perceberam a presença do vampiro, se entreolharam e sorriram para ele.

- Não acredito! – Disse o vampiro surpreso – Aaba e Laviniah?
- Estávamos esperando você – disse Lavíniah.
- O que está esperando garotão? Vem logo pois vamos te dar muito trabalho.
O vampiro uivou, tirou toda sua roupa e com muita sede partiu pra cima daqueles verdadeiros presentes do Inferno e do Céu.

*Conto escrito em Novembro/2011e reeditado em Novembro/2015
 
* Todos os nomes dos personagens, assim como de instituições utilizadas neste texto, são apenas nomes fantasias e não referenciam a nenhuma pessoa, local ou razão social.

2 comentários:

  1. Eu nem sei como descrever tudo que acabei de ler! Me despertou sensações desconhecidas!
    Amei!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Sophia, esta série é uma das que mais gostei de escrever durante estes anos todos. Bom saber que despertou estas sensações indescritíveis rs...

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