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Só pode ser um anjo...

- E aí,vai ficar neste estado até quando? – dizia Luís ao ver seu amigo sentado na calçada.

- Me deixa cara! – respondeu André virando o restante da vodca que tinha em seu copo.

- Ah você não vou te deixar nesta não, levanta agora cara! – disse Luís puxando-o pelo braço, depois segurando firme o colarinho da camiseta, gritou - Acorda meu amigo! Ela não vai voltar pra você! Ela está lá, dando pra outro enquanto você está acabando com a sua vida!

- Cala boca! – André empurrou seu amigo fazendo-o cair no chão, em seguida os dois se entreolharam furiosos, dos olhos de André marejavam lágrimas e com a voz trêmula ele disse:

- Você não são sabe de nada! Não entende... aliás ninguém entende... - André disse isto e virou-se para sair dali, e foi enquanto atravessava a rua que o pior aconteceu. Um carro desgovernado apareceu de repente e acertou-o fazendo-o voar à alguns metros dali.


Abrindo os olhos com dificuldade André viu uma TV ligada, passava o desenho do Tom e Jerry, examinava o ambiente e constatou que estava em um hospital. Ao ouvir um ruído, esforçou-se para olhar a frente; avistou uma pessoa e forçando um pouco mais o olhar percebeu que tratava-se de uma médica, ou uma enfermeira.

Cansado soltou sua cabeça, voltando a olhar para o teto, sentia algumas dores pelo corpo, preocupado começava testar seus movimentos. E mesmo que de forma lenta todos respondiam, causando-lhe um pouco mais de alívio. Esforçou-se para lembrar o que havia acontecido, mas em vão, pois de nada vinha em sua mente.

- Olha só quem acordou! – disse Fernanda entusiasmada ao vê-lo acordado.

- O que aconteceu comigo? Aonde estou?

- Calma, sei que está tudo muito confuso. Você deve ter muitas perguntas a fazer, mas calma – dizia Fernanda olhando-o e acariciando seu rosto – Meu nome é Fernanda, sou Enfermeira e você está no Hospital Santa Mônica.

- Estou aqui a quanto tempo?

- Aiii André... calma, você está aqui a 5 meses, você sofreu um grave acidente e ficou em estado de coma. Mas agora graças a Deus acordou e me parece muito bem. Vou chamar o Dr. Osvaldo para examiná-lo, ele vai ficar muito feliz ao saber que acordou e está bem.

Dos olhos de André desceram algumas lágrimas - Não está fácil... não está... talvez teria sido melhor se...

- Xiuuu nem pense em completar este pensamento – disse Fernanda, e neste momento os dois se olharam e André percebeu que os olhos de Fernanda estavam repletos de lágrimas.

- Olha André, cuidei de você todos os dias que estive aqui e desde que chegou. Orava todos os dias pedindo para que acordasse e saísse daqui com vida e bem. E agora você está aqui... e estou muito feliz por isto... você não sabe o quanto eu...

Fernanda sem conseguir terminar a fala saiu do quarto de repente limpando seus olhos marejados de lágrimas. E assim que saiu André tentou juntar forças para chamá-la, mas ainda lhe faltava fôlego em alguns momentos e por isto não conseguiu impedir a saída repentina de Fernanda.

“Que droga! Sou um idiota mesmo!”, pensava consigo mesmo, lembrando-se de Fernanda, aquele olhar, o seu jeito, aquela energia. Percebeu que sentia algo muito bom enquanto ela estava ali junto dele, não conseguiu entender o que era, pois nunca havia a visto, mas era como se já a conhece a muito tempo. 


- Bom dia seu dorminhoco! – dizia Fernanda entrando em seu quarto – Olha me disseram que Dr. Osvaldo está impressionado com a sua recuperação, dizem que ele anda falando que é um milagre, mas eu chamaria apenas de Fé!
André olhando-a entrar no quarto trazendo o seu café da manhã disse:

- Bom dia Fernanda! Nossa pensei que você era apenas um anjo, uma miragem algo do tipo.

- Nossa por que? – perguntou Fernanda olhando-o com um sorriso encantador.

- Passaram-se 4 dias desde que acordei e vi você e depois daquele dia você não apareceu mais, fiquei com medo de...

- Xiuuu mocinho você fala muita bobeira! – disse Fernanda colocando o dedo na boca dele. Os dois se olharam e começaram a rir juntos, e riam tanto que chegavam a descer lágrimas dos olhos.

- Muito bem, agora que já tomou direitinho seu café da manhã, deixa eu aproveitar que Dr. Osvaldo está em consulta pra ficar um pouco mais com você – dizia Fernanda enquanto tirava suas sapatilhas – Posso deitar aqui do seu ladinho?

- Claro! – respondeu André olhando-a deitar-se ao seu lado, naquele momento reparava melhor no corpo de Fernanda, depois em seu cheiro, e quando deitou-se ficando junto dele, admirava sua boca.

Fernanda sorria, tinha um rosto de menina, sorriso arteiro, jeito encantador, a soma de tudo aquilo inundava André com uma sensação que ele pensava que jamais sentiria por mais ninguém. Fernanda então deitou-se sob o peito de André e ali ficaram assistindo desenhos na TV e conversando sobre bons momentos, outros não tão bons assim que já tiveram em suas vidas.

- Está muito bom aqui, mas está na hora de eu voltar ao trabalho, além do mais está chegando o horário das visitas e provavelmente sua mãe está ai como todos os dias, doida querendo te ver – disse Fernanda acariciando o peitoral de André sob a roupa hospitalar.

- É, eu imagino o quanto ele deve ter ficado preocupada...

- Sim, eu adoro ela, e assim... todos ficamos preocupados e torcendo pela sua recuperação... – disse Fernanda agora olhando-o nos olhos. Um silêncio surgiu entre os eles; os olhos admiravam a boca um do outro, aos poucos elas se aproximavam até finalmente se tocarem.

Beijavam-se devagar, as línguas entrelaçadas começavam a deixar o beijo um pouco ousado e safado. Depois interrompendo o beijo, se olharam novamente, sorriam timidamente.

- Uhmmm, pra quem sofreu um acidente o senhorzinho está muito danadinho, não acha? – disse Fernanda entre um beijo e outro e sentindo a mão dele subir por sua coxa – Agora eu preciso ir... – disse levantando-se da cama.

- Não quero você longe de mim, não some não – disse André olhando-a com o coração na boca.

Fernanda, apenas olhou-o, sorriu e acenou com a cabeça.

- Fernanda! – gritou André fazendo a abrir a porta do quarto somente com parte do corpo para dentro.

- Oi? Está tudo bem?

Ele a olhou e quando pensou em dizer algo ela novamente o interrompeu com aquele seu jeito extrovertido:

- Xiuuuu, tá vendo, não disse que você fala muita bobeira....

- Mas eu nem...

- Xiuuuu, seu bobo! Ainda não percebeu que pra mim você não precisa dizer nada. Um olhar vale mais do que mil palavras – Fernanda disse aquilo sorriu e fechou a porta. Assim que saiu do quarto André disse em voz baixa – "Obrigado por aparecer em minha vida e me salvar".

- Eu ouvi viu!!! – disse Fernanda sorrindo ao aparecer de repente na porta e em seguida sair novamente, fazendo André rir com aquele jeito arteiro e muito carinhoso.


- É impressionante a sua recuperação meu jovem, vou analisar estes últimos exames, mas posso te adiantar que é quase certo que entre hoje ou amanhã já poderei te dar alta.

André olhava Dr. Osvaldo aliviado por estar bem, só que sentia seu coração apertado, pois novamente Fernanda havia desaparecido, já faziam 3 dias que ele não a via.

- Doutor, sabe me dizer por onde anda a enfermeira Fernanda – perguntou André um pouco sem jeito.

- Fernanda?!!? Olha meu jovem, não me lembro de nenhuma enfermeira com este nome, tem certeza que é este o nome dela?

- Sim, bom eu acho que sim.

Dr. Osvaldo sorriu para o jovem e seguiu fazendo algumas recomendações de postura para ajudar em sua recuperação e assim acabou não dando muita atenção para a preocupação de André em encontrar a e enfermeira.

- Não é possível, estou ficando louco? – dizia André a si mesmo no momento que o médico saiu do quarto.


Era 00:30hs e André não conseguia pregar os olhos. Fernanda não saia da sua cabeça, o seu cheiro, aquele sorriso, seu beijo...

- Nossa tem gente que não dorme mesmo eihnnn?

- Fernanda! Não acredito que é você!!??

- Pois é! Adivinha quem ficou com o plantão de Sexta... euzinha!

- Eu não entendo você, estes seus desaparecimentos.

Fernanda apenas sorriu em seguida deixou seu celular sob uma cômoda. A bela canção I Live My Life for You do Firehouse começou a soar baixa pelo quarto e aproximando-se de André ela tirou sua camiseta, em seguida desfez seu sutiã e por fim tirou sua calça ficando apenas com uma minúscula calcinha de renda branca.

- Você é linda! – dizia André olhando-a.

Fernanda nada disse, apenas sorriu e agora tirava sua calcinha devagar até deixá-la cair sob seus pés. 

Então deitou-se junto de André e logo as bocas se tocavam em um beijo repleto de desejo. Fernanda ajudou-o a tirar o roupão hospitalar e agora conseguia sentir a pele quente dele junto da sua, a mão tocando e acariciando suas pernas enquanto beijavam-se com volúpia.

- Existe um trecho desta música que adoro, sabia? – dizia Fernanda ao pé do ouvido de André – este trecho diz assim "Eu construí meu mundo em sua volta e eu quero que você saiba que eu preciso de você como eu nunca precisei de ninguém antes...", então André – Fernanda olhou-o nos olhos – sou muito grata a você por me me fazer acreditar novamente no amor... mostrar que ele ainda existe... Eu Te amo.

- Fernanda... – André levou sua mão ao rosto dela segurando-o firme – Você é tudo para mim, também te amo!

E naquele quarto Fernanda e André fizeram um amor invejado por Deuses, havia uma química e uma sintonia muito boa entre os dois.

Ao amanhecer Fernanda despediu-se de André pois já era a hora dos próximos plantonistas chegarem, e novamente André a pediu que não sumisse da sua vida, e sem dizer novamente uma palavra Fernanda apenas olhou-o, e em seguia saiu deixando-o sozinho no quarto.

3 dias depois...

Casa em festa, amigos e familiares comemoravam o seu retorno.

Em frente à janela do seu quarto André tinha seu olhar perdido para o céu, admirava o brilho da Lua, enquanto não conseguia parar de pensar em Fernanda. “Só poder ser um anjo... não é possível...”.

- Está tudo bem André? – disse Joana, mãe de André ao abrir a porta do seu quarto.

- Ah está sim mãe, só estou aqui tomando um pouco de ar.

- Desculpa filho atrapalhar, é que tem uma moça aqui querendo muito falar com você.

- Ah pode deixar ela entrar...  Fernanda! – disse André surpreso ao virar-se e deparar-se com ela parada ao lado de sua mãe.

Joana sorria feliz ao ver de volta aquele brilho no olhar de seu filho e ficou ainda mais quando olhou para àquela moça e percebeu o mesmo brilho em seu olhar.

- Bom, vou deixá-los em paz, parece que vocês tem muito a conversar.
André e Fernanda sorriram para Joana vendo-a sair do quarto.

- Já disse que adoro a sua mãe não é? – disse Fernanda olhando-o. André, que não conseguia dizer nada, apenas olhava-a em silêncio enquanto aproximava-se.

- André me perdoe, você deve estar magoado comigo, é que eu não ia conseguir me segurar vendo você...

- Xiuuu, você fala muita bobeira – disse André olhando-a sorrindo, em seguida segurando-lhe o rosto com ternura levou sua boca a dela e beijaram-se com muito amor e paixão.

** Todos os nomes dos personagens, assim como de instituições utilizadas neste texto, são apenas nomes fantasias e não referenciam a nenhuma pessoa, local ou razão social.

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3 comentários:

  1. uau... dante, estava inspirado hein... J.

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  2. Não sei se inspiração é a palavra mais apropriada, mas se agradou fico feliz.

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  3. Adorei essa, muito excitante.....C

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